Bebida nas festas da igreja não

Venda de bebidas em festas da igreja. O que você pensa disso? A maioria vai dizer que é totalmente incoerente, já que o consumo de bebida alcoólica normalmente está ligado à violência (inclusive com vítimas fatais), acidentes de trânsito e até destruição de famílias. Ou seja, tudo que a igreja vai contra. É só lembrar do mandamento máximo de Deus, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. No entanto, infelizmente nem todo mundo concorda.

Por isso mesmo a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em assembleia, tratou do assunto em seu documento 100, orientando as dioceses e paróquias a encontrar alternativas para encerrar com essa prática contraditória.

“Algumas iniciativas não são fáceis de serem  aplicadas, mas são urgentes. Uma delas é evitar a comercialização e o consumo de álcool nos espaços da comunidade. Especialmente nas festas dos padroeiros e outros eventos religiosos, a venda de bebida alcoólica contrasta com os programas de defesa da vida e combate à drogadição que a Igreja promove. Uma das drogas mais ameaçadoras da sociedade é o álcool. Entretanto, algumas paróquias, em razão de questões financeiras, culturais ou porque “sempre foi assim”, caem nessa contradição grave. Será preciso encontrar saídas alternativas para a manutenção da comunidade, como a partilha do dízimo. É urgente a conversão das comunidades paroquiais para evitar o contratestemunho de promover o consumo de álcool em quermesses ou outras atividades recreativas da comunidade.”, diz o documento da CNBB.

Segundo o coordenador geral da comunidade São Mateus (Paróquia Nossa Senhora da Guia – Cuiabá), José Luiz Marcondes De Lucena, o documento 100 da CNBB foi estudado a fundo com os coordenadores de todas as 16 comunidades da Paróquia. “Mas infelizmente alguns ainda acham que a bebida dá lucro, isso é pura ilusão, acabamos destruindo as famílias. Quantos pais vão às festas,  bebem e caem na sarjeta , ou chegam em casa e batem em seus filhos e até na esposa? A bebida é uma tradição que precisa acabar nas festas de igreja, principalmente nas festas de padroeiro”, destaca.

Ainda de acordo com Lucena, a Paróquia Nossa Senhora da Guia foi unânime em não vender bebidas alcoólicas nas festas religiosas, “porém estamos com dificuldades com algumas comunidades, das 16 umas quatro são teimosas”.

Recentemente, o costelão realizado em prol da construção da igreja São João Paulo II, que funciona em um galpão, foi alvo de polêmica. No evento, realizado no Centro de Eventos do Pantanal, foi vendido bebida alcoólica. O pároco da Guia, Oswaldo Scotti, explicou que foi um caso diferente. Isso porque o costelão foi feito por um grupo de pessoas (inclusive várias que nada tinham a ver com a igreja) que apenas estavam trabalhando para ajudar a arrecadar fundos para a construção da igreja. “Não foi realização da igreja, então não tivemos como proibir”, destaca Scotti.

Tirando as poucas exceções, como essa do costelão da São João Paulo II, a orientação é que não se venda bebida alcoólica nas festas da igreja. Afinal, mesmo que não houvesse essa preocupação que mobilizou até discussão na CNBB, é um comportamento incoerente misturar droga, por mais que seja lícita, com religião.

 

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